Anotações | Linguagem e melancolia

Anotações encontradas num caderno, construídas sobre a escrita e melancolia na obra de Sebald:

“Escrever como invenção insistente, gesto da ordem da busca e realização de um objeto cuja única pertinência se encontra no dizer sincero de sua impossibilidade, no reconhecimento da própria impotência, em uma obra que se expõe e se realiza enquanto sobra de um esforço, dejeto, rastro, resto da obra impossível. A potência e a insistência do vibrar das palavras no testemunho do fracasso. Ruína, destruição e desespero como terreno de emergência de sua literatura.”

“O fazer como provocação de uma resposta, provisória, precária, experimental – uma busca quase heróica: aventura. O devir da insuficiência que mantém a escrita pulsante e se ergue contra o silêncio e o esquecimento, à procura de traços de vida ou fantasmas esquecidos entre as margens da história, emergindo no encontro com os rastros da destruição.”

Que se cruzaram com esses outros, na leitura do texto ‘A melancolia da linguagem’ de J.B. Pontalis:

“…quando nada a comanda a não ser seu próprio impulso, reconduz ao objeto perdido, para dele se desligar. Ao longo de toda a sua trajetória e não apenas no fim.”

“…tem apenas um objetivo: dar realidade e consistência a um antes, um antes absoluto, que nunca existiu de verdade.”

“Consentimos em reconhecer que não conhecemos nenhuma terra natal e que portanto nenhuma lembrança poderia nos fazer reencontrá-la; que tampouco atingiremos a terra prometida (….) Se não é nem nossa origem nem nosso futuro, continua a ser nosso horizonte permanente.”

“As palavras, minhas palavras, jamais serão minhas. Mas é preciso ter querido que se tornassem minhas para reconhecer que não pertencem a ninguém, e que assim, não tendo dono nem senhor, para sempre estrangeiras, nelas eu posso me perder e me encontrar.”