Jackass Johnny e a Aranha de Norfolk

Em 8 de dezembro de 1895, na página 12 da edição 859 do semanário Boston Sunday Post, Charles Lotin Hildret escreveu:

“Peter Stephan foi um português que morou na cidade de Watchers no ano de 1736. Era conhecido pelos povos ribeirinhos pelo apelido de ‘Jackass Johnny’, pois a natureza o havia concedido, no lugar dos órgãos apropriados a qualquer ser humano digno de tal nomeclatura, um par de longas e peludas orelhas e um focinho comprido, exatamente como as de um asno. Ele costumava comer grama, vegetais, milho e feijão e outras coisas secas que encontrava caídas pelo caminho, como qualquer animal – embora ele gostasse também de pão e devorasse de quando em quando largas porções de carne crua. Era um imbecil e vivia pelas docas e por muitas vezes dormindo ao ar livre. Os brutos da região se deliciavam o maltratando, espancando e o chutando até que ele rugisse. Esse grito, fosse de dor ou de raiva, era ouvido apenas como o zurro de um asno. Falar ele não podia e quando enfurecido, mordia ferozmente seus algozes, muitas vezes causando feridas mortais.

Não fossem pelas fartas evidências neste caso em particular, poderíamos nos deter por um instante em horrenda incredulidade ante a história da ‘Aranha de Norfolk’. Mas os fatos nos parecem bastante substanciosos, não apenas pelas afirmações de três cientistas, muito conhecidos nos dias de hoje, mas também por declarações de dois importantes membros do Parlamento e Willian Danvers, clérigo de reputação inabalável da Igreja da Inglaterra. ‘Eu vi com meus próprios olhos essa coisa monstruosa’, escreve Danvers, ‘, pois, de outra maneira, eu não poderia dizer que isso é apenas uma terrível manifestação da Ira do Criador.’ É uma aranha em todos os seus aspectos, exceto pela cabeça humana. Tem a metade da altura e peso de um homem médio adulto, rasteja sobre a sua barriga com seis pernas peludas e com garras. Redondo e inchado, coberto de um pelo fino cinza e pequenas listras vermelhas, amarelas e verdes. Sua parte inferior é nua e avermelhada. A cabeça é muito achatada com escassas cerdas próximas à boca e enormes olhos negros e saltados. Acima do lábio superior, de cada lado, há grandes presas. É do tipo de um aspecto tão assustador que me causam náuseas apenas a lembrança. Um ser de apetite insaciável. Fui informado por fontes confiáveis que recentemente foi visto atacando e devorando metade de um cão. Uma simples mordida pode ser mortal, mas sobre isso não encontrei provas.”