Lavar os pratos como se fosse a coisa mais importante do mundo

“O ócio não tem substância própria, não é um ente em si mesmo, não é nada; o ócio é uma disposição da alma, algo que acompanha qualquer tipo de atividade; não é a contemplação do vazio, e menos ainda o vazio em si; é, como dizer, uma maneira de estar. Sentar-se em uma cadeira sem fazer nada não implica necessariamente ócio; e lavar os pratos pode implicar ócio, se se tem a disposição adequada. A disposição adequada, no caso de lavar os pratos, é lavar os pratos como se fosse a coisa mais importante do mundo.”

Levrero, La novela luminosa, traduzida e publicada num post do Odyr