A língua Ainu morreu em 30 de abril de 1994

A Ilha de Sacalina; em inglês Sakhalin Island; russo Ostrov Sakhalin; japonês Karafuto, é uma ilha localizada entre o Estreito de Tartar e o Mar de Okhotsk, no extremo leste do território russo e ao norte da ilha japonesa de Hokkaido. Suas coordenadas são 51ºN 143ºE, e área de aproximadamente 72 mil km2, tem seu ponto mais alto no Monte Lopatin (1609m). Junto das Ilhas Curilas, forma o que é conhecido por Sakhalin oblast (uma espécie de província, território administrativo submetido ao governo de Moscou). É a maior ilha do território russo. Em 1857 o então Império construiu uma colônia penal na Ilha de Sacalina. Em 1890, Anton Checkhov decidiu visitar a Ilha e publicou um livro com as memórias de sua visita, num trabalho etnográfico memorável, publicado em português com o nome “Ilha de Sacalina”. A Ilha atualmente tem uma população de aproximadamente meio milhão de pessoas, de maioria étnica russa e com uma pequena comunidade de coreanos e povos indígenas locais, os Ainu, Oroks e Nivkhs. O terrítório foi reinvindicado pela Rússia e Japão ao longo dos séculos 19 e 20. Alguns dos conflitos e momentos mais intensos envolveram disputas militares e divisões da Ilha pelos dois países, com a Rússia tomando toda a sua extensão pós WWII, em 1945. A maioria dos povos Ainu migraram para a Ilha de Hokkaido, 23km ao sul, quando os japoneses foram expulsos da Ilha em 1949.
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Os Ainu ou Aynu (Ainu アィヌ Aynu; Japonês: アイヌ Ainu; Russo: Айны Ajny), em textos históricos japoneses Ezo (蝦夷), são povos indígenas japoneses originários das Ilhas de Hokkaido, Honshu, além da já citada Sacalina e Ilhas Curilas. A número oficial de Ainus é aproximadamente 25 mil, mas estimativas não-oficiais indicam aproximadamente 200 mil, devido a sua inserção na cultura japonesa e como resultado, terem perdido vínculos ancestrais, desconhecendo assim suas origens.
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Take Asai (浅井タケ) foi uma Ainu (Tahkonanna – seu nome na língua Ainu) e nasceu em 5 de abril de 1902. Foi a última falante nativa da língua Ainu. Nasceu em vila de Otasu na costa oeste de Sacalina e se mudou para Rayciska (Raichishika) ainda na infância. Após o fim da segunda Guerra, foi realocada para Hokkaido. Viveu seus últimos dias em um asilo em Monbetsu, Hidaka, no sudeste da ilha japonesa. Contribuiu com as pesquisas do “Piłsudski Research Project”, que carrega o nome de um eminente antropólogo e estudioso dos povos Ainu Bronisław Piłsudski.
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O Ainu Sacalino talvez tenha sido mais que uma língua única. Dados sobre a diversidade linguística da Ilha de Sacalina e entre os dialetos Ainu é escasso. Atualmente, dois podem ser considerados como dialetos documentados – o dialeto do assentamento de Rayciska, no oeste de Sacalina, no Estreito de Tartar perto da moderna Uglegorsk, e o dialeto de Tarayka, voltado para onde é hoje o Golfo da Paciência próximo a Poronaysk na costa leste. Material linguístico de ambos os dialetos foram colhidos em transcrições, gravações, transliterações de narrativas e conversas, com falantes nativos de Ainu que viviam em Sacalina e Hokkaido, depois de terem sido deportados da Rússia para o Japão. Uma outra série, na costa sudeste de Sacalina, também foi descoberta pela pesquisa de Pilsudski*, de falantes nativos que viviam nos assentamentos de Ay, Hunup, Takoye, Sieraroko, Ocohpoka, Otasan e Tunayci, perto do lago Tunay atualmente. Estes dialetos parecem ser surpreendentemente semelhantes ao dialeto de Tarayka. No entanto, a variedade costeira oriental de Tarayka é relatada como divergente de outras variedades do sul. Os dados escassos das viagens ocidentais na virada do século XIX e XX sugerem que também havia uma grande diversidade para o norte.
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A língua Ainu sobreviveu por um bom tempo no Japão, sendo extinta com a morte de Take Asai, em 30 de abril 1994.