Picasso também estava ali, fumando bem em frente de uma oficina mecânica

28/11/2014.

Sexta, 7h35.

Perco o 875C por alguns segundos. Chego ao ponto e acendo um cigarro para me auxiliar na espera pelo próximo. Encostado na barra que sinaliza a parada bem em frente a um bar, observo alguns passarem por mim. Até então, só eu ali. Eles vem em dupla, sempre. Quando a próxima se aproxima, percebo do outro lado da rua um senhor correndo esbaforido sinalizando para alguns carros o deixarem atravessar fora da faixa. “Que sorte!”, falo baixinho comigo mesmo e imagino que aquele é o ônibus que ele pega todas as manhãs. Ele se aproxima, o ônibus para, ele bate na porta, ainda fechada apesar de sua presença ja contar alguns segundos ali. O motorista abre e ele diz de forma clara e assertiva: “Ó, presta atenção, a penúltima rodada do campeonato brasileiro começa amanhã.”

O senhor se vira, a porta se fecha e ônibus parte. Ele então vai em direção ao bar, entra e dá bom dia para algumas mulheres que tomam café numa mesa perto da porta.

O 875 chega. Eu termino o cigarro daquela forma que fumantes terminam um cigarro a espera por um ônibus: uma última tragada violenta seguida de um sopro forte de fumaça, suficiente para encher uma bexiga. Entro, encontro um lugar vago no final do ônibus, me sento e começo a escrever.

Sexta, 7h55. Acabo de descer no meu ponto e termino este texto enquanto caminho para o trabalho.