insaturáveis belezas da existência

Aqui devo dizer, um pouco ao menos: o que mal posso esperar confirmar no registro: que uma casa de gente simples que fica vazia e silente na vasta luz do sol da manhã no interior do centro-oeste do país, e tudo que naquela manhã em eterno espaço ela por acaso contém, tudo assim deixado aberto e indefeso diante de um espião reverente e frio em sua operação, reluz com tal grandiosidade; tal dolorosa sacralidade de suas exatidões na existência, que consciência humana nenhuma jamais poderá corretamente perceber, muito menos transmitir a outra: que pode haver mais beleza e mais profundas maravilhas nas posturas e espaçamentos de mudas peças de mobiliário em um chão nu entre os limites cerrados das paredes que em qualquer música jamais escrita: que essa casa quadrada, de pé sobre a terra sensombra entre o desenrolar dos anos dos céus, é, não para mim, mas para si própria, uma entre as serenas e finais, insaturáveis belezas da existência: que essa beleza se faz entre a natureza chegada mais invencível e as mais simples crueldades e necessidades da existência humana neste tempo incurado, e é inextricável de entre elas, e tão impossível sem elas como um santo nascido no paraíso.

Mas digo essas coisas apenas porque reluto em mentir inteiramente. Agora nada mais posso ter a ver com elas.