Narrativa de V. sobre violência no transporte público

V. conta sobre episódio de briga em ônibus. Fala sobre sua experiência, vinda de Alagoas, e os seus primeiros dias e semanas em SP. Fala que precisou ‘conhecer a cidade sozinha’ e saber ‘do que as pessoas eram capazes, até onde elas seriam capazes de ir’.
Conta de forma teatral (usa o corpo para construir sua narrativa, puxa a própria blusa pelas costas, gesticula, desenha no ar o ‘batente’ /meio-fio/), quando uma garota a puxa e ela cai no chão e ‘poderia ter morrido’, seu sangue (ela não sabe dizer, mas é algo da natureza de ‘ferver’, ‘esquentar’) ela usa o termo ‘o sangue da gente, sabe, o sangue, vira uma coisa’, tem um quê ali de sair de si, não conseguir se reconhecer (termo dela) num episódio de extrema violência e perda da realidade. Ela diz  ainda que foi a primeira vez que percebeu que precisaria se defender.
A temática surge no contexto da violência e abuso sofrido por uma menina em um ônibus. V. exaltada e com raiva do ocorrido, diz que carrega ‘Maria Letícia’ na bolsa, no caso de alguém abusar dela no transporte. Ameaça agir com violência.